Arquivo de Dezembro, 2008

27
Dez
08

Eu nasci há dez mil anos atrás…

Eu estava aqui pensando no quanto tenho uma alma velha. Não sei se é bem “alma velha”. Talvez eu tenha nascido na década, no século errado. Não sei. Não sou adepta dessa tecnologia toda, desses amores promíscuos, dessa falta de compostura, dessa loucura que é o século XXI. O que é isso? Às vezes me sinto um peixinho fora d’água. Gosto de Beatles, gosto do frio, gosto dos amores platônicos, gosto de seguir meus princípios, queria morar no Château de Versailles e participar dos grandes bailes de gala, ou como diria um grande amigo: “Ter nascido índio”. Mas é bom frisar: índio aqui no Brasil, antes do descobrimento. Dá pra imaginar o quanto era gostosa essa liberdade perigosa? Sem trânsito, sem um mal-educado te xingando no carro ao lado, porque você é cautelosa. Sem tanta desigualdade. É claro que sei que os tempos eram outros, que havia outros tipos de problema. Mas eu queria só um pouquinho disso: liberdade.

 

Eu sou antagônica. Queria ser índia queria morar no Château de Versaillesna verdade, só acho que estou no tempo errado. Não posso escutar “I Want To Hold Your Hand” (Beatles). Parece que entro em um estado metafísico. É uma sensação gostosa, boa, feliz. Como se eu estivesse recordando os velhos tempos, tempos que não vivi. Que loucura! É algo inexplicável. Quem sabe um dia alguém me explique? Será que o sabidão Freud me explica?

 

Sinceramente, espero que eu mesma me ache nesse lago de confusões que eu mesma faço. Afinal, vocês já pararam pra pensar que nós mesmos fazemos nossas confusões, que nós somos os Zé’s, que nós, com a loucura dos outros também, construímos nossas próprias loucuras? Pois bem, somos os responsáveis por essas confusões todas.

 

Me perdi. Porque, eu, realmente, achava que era o “ser estranho” perdido nessa imensidão de mundo. Mas não. Eu só não sou igual aos outros. Não saí do mesmo molde. Gosto de coisas que nem todo jovem gosta, mas também tenho meu lado jovial. Afinal, o motor 2.0 está aqui pra ser ligado e usado.

 

Vamos passear pela vida!

23
Dez
08

Só mais um pouquinho de Beatles…?

Porque eu era uma menina e porque eu era uma idiota. Era só por isso que eu achava que você precisava usar um anel de compromisso. Era só por isso que eu achava que os sentimentos das pessoas cabiam em artefatos/objetos e só por isso que eu achava que pra eu me saber amada, todo mundo tinha que poder saber e validar que eu era mesmo amada através da leitura desses signos que a novela das oito coloca na nossa cabeça que são a representação, a estandartização, do amor. (leia-se: flores, chocolates, declarações no asfalto, ‘desligavocêprimeiro-ah, não, desliga você..!) Porque eu era uma idiota é que eu terminava tanto com você, transformando um relacionamento num jogo vicioso pra ver quem ama mais, quem sofre mais, quem dá mais – eu achava que o amor era uma coisa verificável, testável empiricamente, do tipo “opa, ele não foi embora, tá ali amuado, chorando, pediu pra voltar.. me ama” (eu sei também que a minha insegurança fazia com que isto acontecesse mais vezes do que o razoável ; se é que existe razoável para uma coisa dessas…). Hoje eu já sei que eu não gosto de leilão – eu sempre perco.

E só porque eu não sabia é que eu fui tão má companheira. Eu era uma idiota, num pensamento mediano, numa classe mediana, sendo uma pessoa mediana, porque eu era uma menina ainda, que não sabia nada da vida e por isso eu não podia estender a mão e entender como era difícil tirar a carteira de motorista, como era trabalhoso ter algumas responsabilidades, como era exaustivo dirigir de noite sozinho ou como era amalucador encarar um fim de semestre na faculdade. (E quando eu era essa mediana, tão mediana, você me amava tanto e muito… e hoje ,alguns livros do Saramago; outros do Gabriel Garcia Marquez; muitos livros de poesia de Vinicius, Drummond, Neruda, Bandeira, Leminski, Adélia Prado, Alice Ruiz ; muitos encontros com a sociologia, a antropologia, a psicanálise e a filosofia; seis filmes de Woody Allen; mais uns quatro do Tim Burton; muitos cds do Chico Buarque, mais uns outros tantos do Caetano, dos Novos Baianos, Lenine, Zeca Baleiro, Los Hermanos, Cazuza; carteira de motorista; carro na garagem; coragem de ter largado uma faculdade; studante de psicologia; assídua de trabalhos voluntários; com autonomia pra viajar com as amigas; sem horário de chegar em casa; dois anos de terapia depois; ninguém me ama. Você não me ama.Vai dizer que o mundo é lógico…? que merda que engraçado a vida é assim mesmo né… )

Porque eu era desse jeito é que eu não entendia como aquela música de Beatles no som do carro naquela viagem ou como aquela música de Beatles transcrita num depoimento no meu Orkut podia ser uma declaração de amor.

 

 

Hoje eu já não sou a mesma. Já fiz a prova do DETRAN. Já encarei quatro finais de semestre. Já dirigi em todos os horários possíveis pela madrugada. Já trabalhei. Já senti que alguém me fez tanto crer que eu tinha obrigação que eu tive de não ter mais amor. Já deixei alguém. Adoro ouvir Beatles enquanto dirijo pela estrada em dias ensolarados. Fiz isso hoje. E quando chegou na faixa oito, quando “Eight days a week” começou a tocar… Eu sorri feliz, achando a letra digna de um amor foda.

Eu queria que tivesse dado tempo de te pedir mais um pouquinho de Beatles… Mas se você não tivesse ido embora, talvez eu não tivesse descoberto nenhuma dessas coisas. Talvez eu não tivesse lido Bauman porque preferisse ficar no seu abraço. Talvez eu não tivesse ido tomar uma cerveja com gente que pensava tudo diferente de mim porque preferisse ficar no seu colo. Talvez eu não tivesse freqüentado tantos lugares antagônicos com tantas pessoas distintas, nem tivesse a oportunidade de conhecer diversos amores e diversas possibilidades de amar diferentes daquela forma que hoje faz eu me sentir tão idiota ao relembrar.

Eu queria não sentir tanta culpa pelo que eu era.. afinal, era o que eu podia ser! Eu queria não ter perdido os olhos doces e inocentes que gostavam de se interessar pelas coisas e pelas pessoas. Eu queria te dizer poucas e boas sobre o que é ser homem e sobre como um homem de verdade vai embora com dignidade, e mais ainda, com verdade. Acho que, durante muito tempo, eu quis dizer estas coisas. Tentar te responder uma certa carta. Mas só hoje, que não vale nada, que ela já vai amarelada na gaveta, que eu não tenho intenção nenhuma, que meu coração não dói mais – nem com as lembranças, nem quando a gente finge que não se conhece depois de tudo que já se viveu – é que essas palavras caem no papel, é que eu posso ser eu mesma, é que eu posso não dar a mínima a repercussão destas letrinhas. Ainda bem.

 

Que bom. Porque eu já estou mais do que atrasada para re-escrever outras histórias, com outros personagens e também para contar uns outros contos que também valeram a pena…

 

 

 

23
Dez
08

Zé diz…

Zé, o Ramalho, um sábio da solidão e dos mistérios do amor. E eu, realmente, concordo com ele, por isso, estou querendo descer da solidão e espalhar as coisas sobre um chão de giz. Por quê? Porque, eu quero, preciso disso. Quero porque cansei de lembrar de você, cansei de lembrar do que não vivemos, do que vivemos. Cansei de tudo. Não vou mais gastar meus pensamentos com essas besteiras. Até me acho auto-suficiente. Mas não é bem auto-suficiência. Talvez seja um: “Não preciso mais de você, goodbye!”. Então, por que não consigo parar de pensar em você? Por isso, que eu queria ser Zé. Ele é convicto, não gosta de confusões como eu. Ele tem coragem pra dizer que não vai beijar mais, gastando o batom. E o melhor, ainda diz que Freud explica. Preciso conhecer Zé melhor. Ele me entende sem ao menos me conhecer, é quase um Freud. Mas eu queria é saber “Quanto tempo o coração leva pra saber que o sinônimo de amar é sofrer?”. Mas, pelas surpresas que a vida e os amores têm me proporcionado, vou ficar letrada nesse assunto. Gosto de Zé. Ele tem me ensinado bastante com suas canções. 

Só achei que Zé foi muito romântico ao dizer que quem ama nunca sente medo de contar o seu segredo. Eu morro de medo. Na verdade, nem sei contar o meu segredo. Me ensina, Zé! Como o coração de uma mulher, o meu traz muitos segredos. Sinto até a vontade de revelá-los e ser uma pessoa mais transparente. Mas tenho medo. Medo de correr risco e ser feliz? Talvez. Medo da incerteza! Essa sim, é monstruosa. É como eu disse, Zé me entende mesmo…e eu queria simplesmente saber “quanto tempo falta para lhe esquecer?”. Nossa relação acabou como Zé contou: como um caramelo que chegasse ao fim. Tudo que é doce e bom, um dia acaba. Mas não foi tão doce. Acho que o caramelo até tinha umas partes amargas, como se tivesse passado do ponto. Esse amor passou do ponto, dos limites, do tempo. 

 Zé já dizia: Quem tem amor na vida, tem sorte. Tenho esperança. Esperança? É, soa um tanto quanto triste. Então, tenho a fé que terei a minha sorte. Logo, logo ela vai chegar. E aí, vou poder dizer onde a felicidade vai estar.

“No mais

Estou indo embora

No mais

Estou indo embora

No mais…”   (Zé Ramalho)