Arquivo de Janeiro, 2009

22
Jan
09

Solidão no meu dicionário.

Na minha vida, solidão significa que quando meus amigos me ligam e me chamam pra ir pra o teatro na vitória-depois o cinema no iguatemi- depois comer na pituba - depois dançar no rio vermelho - depois jogar master na barra - depois ver o sol nascer na praia da contorno eu vou sem precisar consultar/avisar a alguém sobre a minha programação, os meus horários, as minhas pongações e quem vai estar comigo. Mas solidão também significa que quando eu tô com insônia não tem ninguém pra esfregar a meia no meu pé, me beijar a testa e dizer que vai ficar tudo bem. Solidão também é, ainda, não ter que negociar o tempo todo : eu quero macarrão e você carne – vamos comer sushi ; eu quero praia e você montanha e acabamos indo ao sítio ; eu quero assistir uma comédia, você um filme de ação e acabamos saindo pra dançar e exemplos eternos. Solidão também é não ter com quem compartilhar um sonho (confesso, 80% dos meus sonhos românticos são puro besteirol ou estão ligados a combinação de camisas bobas, mas e daí? todo mundo tem direito de sonhar!). Solidão é não ter pra quem ligar pra falar sobre o dia, sobre os planos, sobre o desenvolver das coisas ou  sobre nada. Por outro lado, solidão é estar tanto com você mesmo que acaba-se descobrindo melhor quem somos nós, o que queremos da vida ou com o que conseguimos lidar. Solidão é não ter pra quem levar café na cama, fazer surpresa ou escolher presente fora de hora. Solidão são as danças que não se dançam em par ou o vinho não dividido. Solidão é excesso de si mesmo na mesma medida que é falta de outrém. Solidão é independência e carência, simultaneamente. Solidão é chegar num lugar maravilhoso e pensar: “caramba, como eu queria ter alguém especial com quem eu quisesse dividir isso.” Solidão é entender que  de tudo que eu escrevo aqui, muita gente só entende aos pedaços e acha coisas que não tem nada a ver, e eu me sinto tão incompreendidamente sozinha que só posso ansiar por alguém que simplesmente me acolha e me entenda – entenda inclusive, que eu não sou nem só  triste nem só feliz,mas sei ser a que chora no filme de amor e que dança michael jackson no meio do povo e nem liga. Solidão é não ter pra quem mandar e-mail com letra de música ou poesia que emociona. Solidão é poder ser eu mesma sem me preocupar se algo que eu faço pode vir a machucar alguém. Solidão é naquela hora triste, que dá vontade de desistir de tudo, não ter em quem pensar para achar que a vida vale a pena por algum motivo. Solidão é não ter minhas roupas, meu vocabulário ou meus amigos “regulados” por alguém. Solidão é triste, feliz, engraçado, surpreendente, faz parte, as vezes dou graças a Deus, em outras quero chorar, as vezes é eminência e em outras é escolha. Ou seja? Solidão é como tudo na vida – pode ser vista de muitos jeitos e de muitas cores, mas sempre depende de como nossos olhos escolhem (ou conseguem) enxergar.

 

 

[Para ler escutando "Só", de Tom Zé]

12
Jan
09

Blair Waldorf

Prazer, Blair Waldorf! Intolerante, vingativa, perfeccionista, provocativa, crítica, orgulhosa, briguenta, desconfiada, ciumenta, teimosa, sagaz, e outras coisitas mais. Esse é o meu lado negro, aliás, interessante. Por esses belos adjetivos, muitas coisas boas são perdidas no tempo. E outras coisas são evitadas. Evitadas? Como diria a minha sábia terapeuta: “O mínimo que vai acontecer é você chorar…”. Realmente, o mínimo que vai acontecer vai ser isso mesmo. Chorar, chorar, chorar, chorar…E é por isso, que a Blair aqui perde os curtos momentos de felicidade por querer “evitar”. Evitar: sofrer, chorar, ser magoada, desvalorizada. Isso tudo acontece, isso é a vida. E com todas essas “evitações”, evito ser feliz. Opa, opa. Quem evita ser feliz? Eu evitei por um tempo. Mas já percebi que evitar ser feliz não está com nada. Devemos sim, curtir os momentos, mesmo que eles sejam curtíssimos. Pelo menos fomos felizes ali, naquele instante. E deixamos de evitar o que é natural. Miss B é tão sagaz, que às vezes enxerga até o que ainda vai acontecer. Isso é péssimo. É chato ser esperta. Desculpe a falta de modéstia, mas é verdade. Antes eu não arriscaria ser feliz. Hoje, apareço até despojada demais para “ver” um velho amor que havia sido enterrado por mim. Será que o “tal” está ressuscitando? Vamos lá, vamos vê. Blair está me ensinando a arriscar, a ser provocativa e ver até onde o limite vai, ou não vai. B. não gosta de ser enganada, muito menos provocada. A fama percorre os quatro cantos de Upper East Side: a briguenta! Porém, não aquela “briguenta” que sai por aí brigando com todos e por nada! Miss B é briguenta, mas tem todo o fundamento. Se não querem confusão…tente não pisar em um dos 10000000 calos, ok? Só isso. É bem simples. Quem consegue passar por esse desafio já está guardado no cordãozinho de prata do meu pescoço! Ciúmes? Eu? Eu não. Ah! Nada crítica. Eu só falo a verdade. Não tenho culpa não. Não sou má. Eu SÓ sou assim, uma fofurinha! Quem não tem um lado assim: interessante?

 

Miss B quer que Chuck Bass só diga a verdade e deixe o orgulho de lado. Espero cenas dos próximos capítulos. Estou esperando viu Chuck Bass? Shut up and drive!

 

B.

02
Jan
09

O que eu também não entendo…

 

Agonia dessa minha absoluta falta de resolução, dessa mesma medida utilizada para mesurar a vontade de ter certeza e o pavor que eu tenho de ter certezas e me sentir imobilizada por elas. Não aceitação dessa vida com tanta falta de vida, tanta covardia perante as coisas, tanto desencontro com essa vontade de amor aventureiro. Bode desses caras que acham a gente “demais”; “o máximo”; “totalmente pra casar”; “maravilhosa” e se cagam de medo – porque se ficarem com a gente agora, é como se casassem agora, e aí nenhum fica mas todos prometem voltar, mas ainda falta muito tempo até eu começar a me considerar com idade pra casar. Sou um bom partido de coração partido? Eu sei o quanto dói isso.

Raiva de tanta cantada de homem comprometido. Nojo de tanta mulher achando que é o sonho consumível rebolando na direção correta, sem perceber que não passa de carne pendurada em cabide de açougue. Tenho raiva de quem pede só picanha, só alcatra, só maminha. Mas tenho ainda mais raiva de quem se submete a ser só esses pedaços. Ojeriza da transformação de “relação” para “negociação”. Raiva de encontrar exs e fazer cara de samambaia como se todos os nossos diálogos anteriores tivessem sido “oi, passa o Nescau?” ou “pois é, você viu que jogão o do palmeiras?” e não “te amo demais” ou “vai amor, mais forte, tá gostoso” ou como se todos os momentos tivessem sido apenas uma descidinha desconfortável pelo elevador ou uma colisão desastrada numa avenida – não foram, sabe? Se bem me lembro, acho que havia aquela conversa clichê de cumplicidade-cafuné no sofá-troca de segredos – intimidade… Raiva do que fizemos com isto depois que isto não é mais isto (ou angústia pelo que não soubemos fazer?). Vontade de vomitar de pavor e impaciência total pra esses meninos bombados e descamisados andando em bandos na micareta – queridos, vão para a biblioteca malhar a massa encefálica. Mais impaciência ainda de quem se acha a azeitoninha da empada porque tá “pegando” algum desses brutamontes neandertais. Raiva de quem “pega” alguém. Incompreensão absoluta dessa minha insistência de errar nas mesmas coisas sempre, de amar tanto algumas pessoas que nem ligam pra mim, nem sabem mais que dia é o meu aniversário, de não conseguir dar chances a quem pede chances. Incompreensão de mim mesma, vontade de me beliscar por me sentir inferior quando eu deveria me sentir confiante e de me sentir prepotente quando eu deveria ser simpática. Incompreensão de achar que todo esse lance de relacionamento e romantismos seja tão complexo e mirabolante e ver tanta gente fazendo soar (e acontecer) de forma tão simples…

 

 

 

O que desejo em 2009 é que, como dizem o Chico e a Gal nessa coisa linda que é samba do grande amor, a gente não mude de calçada quando apareça uma flor e nem dê risada do grande amor.