Prazer, Blair Waldorf! Intolerante, vingativa, perfeccionista, provocativa, crítica, orgulhosa, briguenta, desconfiada, ciumenta, teimosa, sagaz, e outras coisitas mais. Esse é o meu lado negro, aliás, interessante. Por esses belos adjetivos, muitas coisas boas são perdidas no tempo. E outras coisas são evitadas. Evitadas? Como diria a minha sábia terapeuta: “O mínimo que vai acontecer é você chorar…”. Realmente, o mínimo que vai acontecer vai ser isso mesmo. Chorar, chorar, chorar, chorar…E é por isso, que a Blair aqui perde os curtos momentos de felicidade por querer “evitar”. Evitar: sofrer, chorar, ser magoada, desvalorizada. Isso tudo acontece, isso é a vida. E com todas essas “evitações”, evito ser feliz. Opa, opa. Quem evita ser feliz? Eu evitei por um tempo. Mas já percebi que evitar ser feliz não está com nada. Devemos sim, curtir os momentos, mesmo que eles sejam curtíssimos. Pelo menos fomos felizes ali, naquele instante. E deixamos de evitar o que é natural. Miss B é tão sagaz, que às vezes enxerga até o que ainda vai acontecer. Isso é péssimo. É chato ser esperta. Desculpe a falta de modéstia, mas é verdade. Antes eu não arriscaria ser feliz. Hoje, apareço até despojada demais para “ver” um velho amor que havia sido enterrado por mim. Será que o “tal” está ressuscitando? Vamos lá, vamos vê. Blair está me ensinando a arriscar, a ser provocativa e ver até onde o limite vai, ou não vai. B. não gosta de ser enganada, muito menos provocada. A fama percorre os quatro cantos de Upper East Side: a briguenta! Porém, não aquela “briguenta” que sai por aí brigando com todos e por nada! Miss B é briguenta, mas tem todo o fundamento. Se não querem confusão…tente não pisar em um dos 10000000 calos, ok? Só isso. É bem simples. Quem consegue passar por esse desafio já está guardado no cordãozinho de prata do meu pescoço! Ciúmes? Eu? Eu não. Ah! Nada crítica. Eu só falo a verdade. Não tenho culpa não. Não sou má. Eu SÓ sou assim, uma fofurinha! Quem não tem um lado assim: interessante?
Miss B quer que Chuck Bass só diga a verdade e deixe o orgulho de lado. Espero cenas dos próximos capítulos. Estou esperando viu Chuck Bass? Shut up and drive!
Porque eu era uma menina e porque eu era uma idiota. Era só por isso que eu achava que você precisava usar um anel de compromisso. Era só por isso que eu achava que os sentimentos das pessoas cabiam em artefatos/objetos e só por isso que eu achava que pra eu me saber amada, todo mundo tinha que poder saber e validar que eu era mesmo amada através da leitura desses signos que a novela das oito coloca na nossa cabeça que são a representação, a estandartização, do amor. (leia-se: flores, chocolates, declarações no asfalto, ‘desligavocêprimeiro-ah, não, desliga você..!) Porque eu era uma idiota é que eu terminava tanto com você, transformando um relacionamento num jogo vicioso pra ver quem ama mais, quem sofre mais, quem dá mais – eu achava que o amor era uma coisa verificável, testável empiricamente, do tipo “opa, ele não foi embora, tá ali amuado, chorando, pediu pra voltar.. me ama” (eu sei também que a minha insegurança fazia com que isto acontecesse mais vezes do que o razoável ; se é que existe razoável para uma coisa dessas…). Hoje eu já sei que eu não gosto de leilão – eu sempre perco.
E só porque eu não sabia é que eu fui tão má companheira. Eu era uma idiota, num pensamento mediano, numa classe mediana, sendo uma pessoa mediana, porque eu era uma menina ainda, que não sabia nada da vida e por isso eu não podia estender a mão e entender como era difícil tirar a carteira de motorista, como era trabalhoso ter algumas responsabilidades, como era exaustivo dirigir de noite sozinho ou como era amalucador encarar um fim de semestre na faculdade. (E quando eu era essa mediana, tão mediana, você me amava tanto e muito… e hoje ,alguns livros do Saramago; outros do Gabriel Garcia Marquez; muitos livros de poesia de Vinicius, Drummond, Neruda, Bandeira, Leminski, Adélia Prado, Alice Ruiz ; muitos encontros com a sociologia, a antropologia, a psicanálise e a filosofia; seis filmes de Woody Allen; mais uns quatro do Tim Burton; muitos cds do Chico Buarque, mais uns outros tantos do Caetano, dos Novos Baianos, Lenine, Zeca Baleiro, Los Hermanos, Cazuza; carteira de motorista; carro na garagem; coragem de ter largado uma faculdade; studante de psicologia; assídua de trabalhos voluntários; com autonomia pra viajar com as amigas; sem horário de chegar em casa; dois anos de terapia depois; ninguém me ama. Você não me ama.Vai dizer que o mundo é lógico…? que merdaque engraçado a vida é assim mesmo né… )
Porque eu era desse jeito é que eu não entendia como aquela música de Beatles no som do carro naquela viagem ou como aquela música de Beatles transcrita num depoimento no meu Orkut podia ser uma declaração de amor.
Hoje eu já não sou a mesma. Já fiz a prova do DETRAN. Já encarei quatro finais de semestre. Já dirigi em todos os horários possíveis pela madrugada. Já trabalhei. Já senti que alguém me fez tanto crer que eu tinha obrigação que eu tive de não ter mais amor. Já deixei alguém. Adoro ouvir Beatles enquanto dirijo pela estrada em dias ensolarados. Fiz isso hoje. E quando chegou na faixa oito, quando “Eight days a week” começou a tocar… Eu sorri feliz, achando a letra digna de um amor foda.
Eu queria que tivesse dado tempo de te pedir mais um pouquinho de Beatles… Mas se você não tivesse ido embora, talvez eu não tivesse descoberto nenhuma dessas coisas. Talvez eu não tivesse lido Bauman porque preferisse ficar no seu abraço. Talvez eu não tivesse ido tomar uma cerveja com gente que pensava tudo diferente de mim porque preferisse ficar no seu colo. Talvez eu não tivesse freqüentado tantos lugares antagônicos com tantas pessoas distintas, nem tivesse a oportunidade de conhecer diversos amores e diversas possibilidades de amar diferentes daquela forma que hoje faz eu me sentir tão idiota ao relembrar.
Eu queria não sentir tanta culpa pelo que eu era.. afinal, era o que eu podia ser! Eu queria não ter perdido os olhos doces e inocentes que gostavam de se interessar pelas coisas e pelas pessoas. Eu queria te dizer poucas e boas sobre o que é ser homem e sobre como um homem de verdade vai embora com dignidade, e mais ainda, com verdade. Acho que, durante muito tempo, eu quis dizer estas coisas. Tentar te responder uma certa carta. Mas só hoje, que não vale nada, que ela já vai amarelada na gaveta, que eu não tenho intenção nenhuma, que meu coração não dói mais – nem com as lembranças, nem quando a gente finge que não se conhece depois de tudo que já se viveu – é que essas palavras caem no papel, é que eu posso ser eu mesma, é que eu posso não dar a mínima a repercussão destas letrinhas. Ainda bem.
Que bom. Porque eu já estou mais do que atrasada para re-escrever outras histórias, com outros personagens e também para contar uns outros contos que também valeram a pena…